Cedência de Trabalhadores Temporários em Angola: O Que Muda com o Decreto Presidencial
- 25/03/2025
- Artigo
Por Winne Correia – Consultora Jurídica da Prolegis Consultoria
A nova regulamentação sobre trabalho temporário em Angola traz mudanças significativas para empresas e trabalhadores. Com a entrada em vigor do Decreto Presidencial n.º 51/25, de 19 de Fevereiro, o Governo introduz um novo regime jurídico para a cedência de trabalhadores temporários, substituindo o anterior Decreto Presidencial n.º 31/17.
Esta medida alinha-se à Lei Geral do Trabalho (Lei n.º 12/23, de 27 de Dezembro), e visa garantir maior transparência, segurança jurídica e equidade nas relações laborais.
Quais são as principais mudanças?
Contratos obrigatoriamente escritos
Agora, os contratos de trabalho e de cedência temporária devem ser formalizados por escrito, com detalhes como função, duração, local de trabalho, remuneração e motivo da contratação.
Licenciamento obrigatório pelo INEFOP
Empresas de trabalho temporário precisam obter licença junto ao Instituto Nacional de Emprego e Formação Profissional, válida por 24 meses, renovável.
Responsabilidade solidária da empresa utilizadora
A empresa que utiliza os serviços do trabalhador será responsável, juntamente com a cedente, pelas obrigações salariais e laborais durante a vigência da relação contratual.
Conversão automática em contrato sem termo
Se ultrapassado o prazo legal da cedência, o contrato será considerado como sendo por tempo indeterminado, reforçando a estabilidade do trabalhador.
Igualdade de direitos
Os trabalhadores temporários passam a ter os mesmos direitos dos trabalhadores efectivos em termos salariais, condições de trabalho e benefícios sociais.
Impactos para empresas
Empresas de trabalho temporário devem:
Regularizar o licenciamento junto do INEFOP;
Submeter relatórios semestrais sobre trabalhadores cedidos;
Evitar qualquer cobrança aos trabalhadores pelos serviços prestados.
Empresas utilizadoras devem:
Verificar a regularidade das empresas cedentes;
Estar cientes da responsabilidade solidária;
Monitorar prazos contratuais para evitar conversões involuntárias de contratos.
Benefícios para os trabalhadores temporários
Maior segurança jurídica e previsibilidade contratual;
Redução da precarização laboral;
Direito à igualdade de condições com trabalhadores permanentes;
Mais protecção em caso de abuso ou incumprimento contratual.
Recomendações práticas da PROLEGIS
✔️ Rever contratos vigentes e ajustar ao novo decreto;
✔️ Garantir licenciamento e conformidade documental;
✔️ Estabelecer mecanismos de controlo interno;
✔️ Promover acções de formação e sensibilização para equipas de RH e compliance.
O novo diploma representa um passo importante na valorização das relações de trabalho em Angola. A PROLEGIS Consultoria está pronta para apoiar a sua empresa na implementação das novas regras, gestão de riscos legais e adopção de boas práticas laborais.
📩 Entre em contacto connosco para uma análise personalizada.